Uma gigantesca nuvem negra
se formou. Raios dourados caíam de todos os lugares. Uma floresta devastada
pela destruição exalava a morte. Uma escuridão intensa tomou conta daquela fria
noite de inverno.
Ninguém conseguia nem se
movimentar, atordoados com a cena.
Quedro olhava para o corpo
morto de seu mais antigo inimigo, e depois para a poeira negra que antes era
seu general. Ele começou a rir histericamente com os fatos que acabaram de
ocorrer.
- Vamos, do que estão com
medo? Continuem a batalha! Não, esperem, não continuem. Minhas maiores pedras
no caminho estão destruídas, agora as outras pedras.
Quedro apontou sua mão ao
céu, formando uma gigantesca esfera de energia negra. Ele recitou alguns
versos, e lançou o poder. Estava prestes a destruir tudo aquilo, matar tanto
seus amigos como inimigos.
Porém Meirelez não
aceitou, surgindo de uma sombra fria dentro daquela caverna. Seu corpo exalava
uma luz negra intensa, e seus olhos estavam inteiramente negros. Ele, apenas
com sua espada, dissolveu a esfera de poder de Quedro.
- Olá, meu filho adotivo!
Uma bela noite, não?
Meirelez falou, porém sua
voz não era a mesma. Era grossa e sombria, que poderia arrepiar qualquer um.
- Você irá pagar.
- Tente.
- Mas não hoje.
Um estrondo foi ouvido,
após isso uma explosão negra se formou na sala. Foi suficiente para fazer
alguns ratos virarem pó, e quando se viu todo o grupo de busca, os Shamans de
Elite e o corpo morto de Glego sumiram.
- Eles não são problema.
Aproveitemos, e acabem com todos aqueles que não são de meu clã, traidores.
Após isso, todos os que
eram reconhecidos como ratos de Ratof foram dilacerados com cannons e energias.
Quedro olhou para o corpo
morto de Sumiiko e Luke, e começou a rir.
- Luketyto! Apenas mais um
idiota morto. Ele seria uma dificuldade, mas Ratof acabou com ele por mim.
Sumiiko será recompensado na próxima vida, caso exista uma. Comemoremos nossa
vitória, ratos!
- SENHOR! – gritou um rato
ali atrás.
- Sim.
- Luketoon está
imobilizado por nossos ratos. O que quer fazer com ele?
- O traga para cá!
Eles trouxeram Luketoon,
sem um de seus braços e com um dos olhos fora de órbita, com apenas uma grande
mancha de sangue em seu lugar.
- Ironia, não era você que
desejava vingança? Dinheiro é tão importante agora Luketoon?
- Você irá pagar! Você
receberá minha maldição!
- Blábláblá. Mas, não
quero te matar em dívida com você.
Ele fez surgir montes de
notas de dinheiro em suas mãos.
- Duzentos mil Tranovers. –
ele entregou as notas marrons de dinheiro. – Minha dívida está paga, então...
Posso fazer o que quiser.
Ele enfiou sua mão no
peito de Luke.
- Posso até mostrar seu
coração batendo... Afinal, o coração é uma coisa linda, não é?
A mão de Quedro perfurou o
lado esquerdo do peito de Luke, e dele ele tirou um órgão familiar em suas
mãos.
Luke deu um último olhar
de desespero ao seu coração que ainda batia forte, antes de morrer.
- Sempre tive vontade de
fazer isso.
Todo o grupo reapareceu na
floresta destruída pela explosão, e olharam os corpos mortos de Quip e Glego.
- O que iremos fazer? –
perguntou Growite. – Sem Glego, não teremos esperanças.
- Nós vamos nos vingar.
Recuperaremos os outros sete cristais restantes, recriaremos nós mesmos a
Espada de Zähr e mataremos de uma vez por todas Quedrogameu. Após isso,
destruiremos a Espada.
Meirelez, que possuía cabelos
ruivos, agora estavam desbotados e compridos. O poder que recebera pela morte de
seu mestre era grande. Poderia matar Quedrogameu, nem que fosse a última coisa
que fizesse.
No escuro profundo da
noite, cavaram o chão, colocando cuidadosamente os corpos daqueles que
morreram.
Por todos os que morreram
em batalha, por todo o Transformice, salvarão o mundo, e deverão fazer isso sozinhos.
CAPÍTULO I- Arrancando Esperanças.
- Se acalmem!
Se passaram dois dias
desde a morte de Glego. Nedlemouse havia pego o cargo de Mestre dos Shamans
interino nos dois dias que se passaram.
Os Shamans de Elite e a
equipe de Meirelez ainda não haviam retornado, o que começava a preocupar os
Shamans Mestres que por sinal, estavam realizando uma reunião.
- Parem com esse alvoroço!
– gritava Nedlemouse na mesa central. Estavam reunidos em uma sala na base
aérea, comentando sobre os acontecimentos. Ainda não sabiam da morte de Glego,
já que o grupo ainda não havia voltado na colossal batalha antes travada.
- 2 dias que eles não
voltam! Fazem 2 dias! – gritou Stroonda, o Shaman Mestre da Luz que havia sido
curado.
- A Batalha entre Jack e
Zähr durou duas semanas. Não sei o porquê de tanto alvoroço. – falou Bananino,
calmamente.
- Mas aquilo era uma
exceção, foi uma batalha pelo destino do mundo! – contra-argumentou o Shaman da
Luz.
- Esta também. – falou
Nedle. – Vamos ser pacientes. Enquanto a guerra estiver ocorrendo, Quedro não
poderá nos invad...
- Está enganado.
Todos os Shamans Mestres
se assustaram. Tiveram a visão de uma sombra vindo da porta da base, e logo
notaram que era Quedrogameu.
- Como chegou aqui, se
maldito de uma figa? – perguntou Nedle.
- Poder.
- Explique. – falou Nedle.
- É o seguinte: O mestre
de vocês está morto, ganhei poder, e agora vou matar vocês. Simples e rápido.
- Não acredito em sua
palavra. – respondeu o Shaman Mestre interino. – Batalhe comigo.
Quedro soltou um riso
sarcástico.
- Vocês estão em cinco...
- Eu falei comigo. Os
outros não interromperão.
- Que seu desejo seja
realizado.
Quedro soltou uma onda
sônica que imobilizou os outros Shamans Mestres, menos Nedlemouse.
Ele se teletransportou
para frente do Shaman das Sombras e lhe deu um golpe em seu estômago. Para sua
surpresa, ele não sequer se mexeu.
- Precisará de mais,
Nedlemouse.
Ele fez um gesto com suas
mãos, uma energia negra foi vista, e ele mandou Nedle pelos ares, destruindo a
janelinha ali atrás, dando na plataforma da base. Quedro se teletransportou
para a frente de Nedle, que estava caído.
- Levante! Lute como um
homem!
Nedle se levantou. Tentou
controlar a mente de seu inimigo, porém nada aconteceu.
- Tentando dominar-me com
seus poderes psíquicos? Você é patético!
Ele lançou um projétil
negro, mas Nedle desviou e tentou lançar uma onda sônica. Novamente, Quedro não
se mexeu.
- Uma batalha
corpo-a-corpo! Venha, Nedlemouse!
- Tudo bem então. – falou.
O Shaman Mestre avançou em
Quedro, tentando desferir dois golpes com suas mãos, não acertando nenhum
deles. Quedro, por sua vez, conseguiu acertar um soco em sua boca do estômago,
o fazendo bufar, e em seguida acertou seu braço no rosto de seu inimigo e o fez
cair.
- Faça mais!
Nedle rugiu, se levantou e
tentou atacar novamente, mas Quedro se esquivou de todos os golpes. O vilão
segurou os dois punhos de seu adversário, e os torceu. O Shaman gritou,
tentando com todas as forças soltar faíscas de plasma para carbonizar Quedro,
mas nada acontecia. Estava perdendo forças.
- Você é ridículo. Não é
digno de lutar contra a minha pessoa.
Quedro soltou os punhos do
Shaman Mestre, e atirou raios negros em seu corpo ajoelhado. Acertou no peito
de Nedle, que foi atirado para o outro lado da plataforma, caindo no chão.
Ele gritava de dor ao
longe, enquanto Quedro ria histericamente.
- Patético! Agora... Podem
vir, Shamans Mestres! Salvem seu “líder” se puderem!
Quedro soltou as cordas
negras que prendiam os Shamans ali dentro da sala, e eles imediatamente se
teletransportaram para aonde Quedro estava.
- O que você fez?! –
gritou Stroonda.
- Justiça. Vamos, me
ataquem!
Os Shamans não hesitaram,
e tentaram atacar – todos de uma vez – Quedro. Porém ele não teve dificuldade
em se defender de todos os ataques que ele recebia, e em questão de minutos ele
conseguiu desarmar todos e deixá-los no chão, derrotados.
- E imaginar que Glego me
parecia ser tão invencível! Comparado a vocês, ele era mesmo! Mas, aquele
maldito traidor está morto! Agora será a vez de vocês. Descansem no inferno,
seus malditos!
Quedro preparou uma esfera
gigante de energia negra, a mesma que ele tentara para matar todos na batalha.
Em um piscar de olhos, o grupo de busca e os Shamans de Elite apareceram ali na
plataforma teletransportados por um esforço de Louiz, que já havia acordado., e
Meirelez correu para tentar impedir o ataque de Quedrogameu.
Ele corria, porém o mundo
parecia mais lento para ele. Todos aqueles que ele conhecia estavam indo aos
poucos... Valia a pena mesmo tentar resgatar a viva? Valia a pena sofrer tanto
por aqueles que ele nem conhecia?
Deveria fazer isso. Tinha
que tentar...
Ele pulou para tentar
impedir Quedro, porém era tarde. A esfera já havia sido lançada, e antes mesmo
de conseguir decapitar seu alvo, a explosão o varreu para longe, e ele teve a
visão das últimas esperanças irem embora, virando pó ao longo da energia negra
que se formava.
Um estrondo foi ouvido, a
base aérea explodiu, e o que se pôde ver foram dezenas de corpos voarem pelos
ares.
CAPÍTULO II- Solidão.
Eu estava desesperado.
Primeiro foi Bx. Ele foi capturado, me esforcei para
trazê-lo de volta, invadi a base inteira de Quedrogameu e o retirei da prisão.
E o que acontece? Ele é assassinado pelo assistente de minha irmã, e morre em
meus braços. Minha primeira manifestação de poder se inicia: Em um ataque de
fúria, mato Mrwhat, o assistente. Abato minha irmã, mas vacilo quando tenho a
chance de matá-la, o que resulta em uma fuga dali, com a ajuda de Luketyto.
Então Ratofmoon retorna. Vejo ele derrotar um Shaman
Mestre da Luz, junto com aquele maldito caçador de recompensas. Ele me derrota,
quase sou torturado até me desintegrar aos pedaços, pra depois ele conjurar um
buraco negro e eu ser obrigado a causar uma explosão nuclear que destrói um
deserto inteiro.
Acordo, sabendo que todos os meus amigos estavam
praticamente em coma, todos em estado grave, e ainda recebo a notícia de que o
nosso antigo palácio havia sido destruído, perdendo todos os equipamentos no
processo.
Quedro invade a nova base, e tive que arcar com a
perda da minha irmã, acreditando que eu havia matado ela. Claro, ela não havia
morrido, e novamente estava do lado maligno. Desta vez, servindo a outra pessoa.
Então, Kurtz é sacrificado para que os nossos dois
obstáculos retornassem: Ratofmoon e Luketoon. Como se não bastasse, os dois
estavam tão poderosos quanto Quedro. Ótimo.
Louiz é capturado e preso no covil do ex-general, o
que nos obriga a travar uma guerra contra Ratof. E, é claro, Quedro também
aparece para se juntar à briga.
Se eu pudesse voltar atrás, impediria essa guerra. Ah,
como eu impediria. Essa maldita batalha custou. E custou demais. Matei minha
irmã, Quip foi morto por aqueles dois generais... Drageny e Bcdw, que por sua
vez foram explodidos por um ataque de fúria do Louiz. Os três mais poderosos
travam uma batalha fora da guerra, o que causa o que até parecia ser óbvio: Um
cogumelo atômico que destruiu toda a floresta. Os três são lançados para dentro
do covil.
Ratof mata Luketyto, o que fez aumentar meu ódio.
Quedro, Ratof e Glego travam uma última batalha, que termina com o ponto fraco
de Quedro sendo revelado: Glego finalmente ia matá-lo. Mas, claro, Ratof surge
atrás dele, e arranca toda sua fonte de poder. Esperávamos que o ex-general
iria vencer e aniquilar os dois maiores inimigos, mas o braço direito de
Quedro, Sumiiko, o mata com um Cannon das Sombras.
Quedro retorna ao normal. E é aí que o meu maior pesadelo
começa.
Glego estava fraco, sem poder fazer nada, e foi
dilacerado pelo Shaman Mestre das Sombras.
Sinto algo fluir dentro de mim, uma mistura de ódio e
poder que me agitou. Me senti mais poderoso, mas eu tive que fugir, pois eu não
teria chances naquele covil.
Teleporto todos para fora, na floresta destruída pela
explosão. A responsabilidade cai para mim: Eu deveria derrotar Quedrogameu, por
todos que haviam morrido. Enterrei os corpos de Glego, Luke e Quip.
É claro, não acaba por aí. Nós tentamos voltar para a
base, levar os feridos da equipe para a enfermaria. Nos deparamos com todos os
Shamans Mestres caídos em conjunto, uma esfera gigantesca de energia e Quedro
embaixo dela, a aumentando cada vez mais.
Tento impedir, e naqueles segundos eu tenho uma
reflexão de tudo o que aconteceu na minha vida: Nada havia dado certo. Meus
pais haviam sido mortos e fui adotado pelo assassino deles. Tento convencer
minha irmã do que havia acontecido, ela não acredita e tenta me mandar para a
prisão. Fujo e vou para uma cidade desconhecida. Sou encontrado por Bx, que se
tornou meu amigo nas ruas perigosas da cidade, onde saqueávamos alimentos para
sobreviver. Fomos pegos e levados para Glego, que nos julgou. Pensávamos que
até seríamos mortos naquele dia, mas ele nos convida para sermos soldados, e
dos melhores.
Quando finalmente encontro meu lugar, a maldita missão
me acontece. Quase todos que eu considerava amigos morreram. Bx, Kurt, Luke,
Quip, Glego.
Eu sentia enquanto corria que nada valia a pena: No
fim, tudo iria ruir, e uma era de trevas recomeçaria, e ele não poderia impedir
isso.
Afastei esses pensamentos que vieram em questão de
segundos. Tento decapitar aquele desgraçado, mas já era tarde. A esfera havia
sido lançada, e a base inteira explode.
Acordo sozinho em algum lugar distante, não tenho certeza
de onde é. É um grande gramado com vários morros, que parece se estender até o
infinito.
Tudo estava perdido, mas naquele momento, eu fiz um
juramento. Eu teria minha vingança, e ninguém ia me segurar de enfiar uma
espada no peito daquele filho da puta.
Quedro, espere por mim. Eu irei te encontrar, e eu
serei seu último oponente.
Meirelez caminhava pelo
gramado, em busca de respostas. Apesar de não ter ideia de onde estava, tinha a
visão de uma fumaça negra no céu. Ele a seguia, na esperança de encontrar algum
amigo no caminho. Possuía medo. Medo de ter perdido todas as esperanças que lhe
restavam.
Talvez os Shamans de Elite
estivessem vivos. Mas sabia que os Shamans Mestres haviam encontrado seus fins,
viu o corpo de todos eles virarem pó ao longo da energia que era exalada.
"Mantenha a
calma", dizia para si mesmo. "Você tem capacidade para continuar
batalhando. Apenas fique calmo."
E caminhou, com sua vida
passando diante de seus olhos.
CAPÍTULO III- Perda.
Tudo aconteceu em um
piscar de olhos.
Guzonaro também estava
perdido. Se lembra de estar na base, tentando fazer o ritual de mudança de
nível. De repente uma explosão o atinge, e apenas lembra de ver tudo ser
incinerado.
Como sobrevivera? Não
fazia ideia. Apenas acordou em um deserto, com a ilha flutuante que era seu
centro de treinamento ao seu lado, totalmente destruída.
Desesperado, correu para os escombros, em busca de respostas. Tentava
eliminar o fogo negro com seus poderes de luz, sem muito sucesso. Era muita
coisa para procurar, a base era grande demais e achar alguém ali parecia ser
impossível.
Continuou tentando, apesar do trabalho. Deve ter ficado ali por uma
hora, até finalmente encontrar um resquício de alguém. Ele viu uma pata de um
rato saindo pra fora dos pedregulhos, e os retirou. Desejou não ter puxado
aquela pedra: Era o corpo morto de Cnpj, que estava sem a metade inferior do
seu corpo, incinerada pela explosão. Uma estaca estava fincada em sua testa,
com seus olhos saltados para cima em uma
expressão no mínimo perturbadora, enquanto seus intestinos saltavam para fora
de sua barriga inexistente.
Ele teve náuseas e vontade de desistir de tudo naquele momento, mas
continuou procurando. Um misto de raiva e medo surgiram em sua mente, e queria
que tudo se explodisse. E foi isso o que aconteceu no fim: Uma energia se
expandiu à sua volta, lançando um quarto dos escombros para o ar, suficiente
para aparecer um cenário que deixou sua autoestima no zero.
Todos estavam mortos. Quecafe e Noivinho estavam inteiramente
queimados, sem pelos e parecendo carvões. Furanshisu, parceiro de Cnpj, teve um
fim parecido com o de seu amigo: Ele havia sido desintegrado na parte inferior,
em um corte transversal que ia de seu quadril até seu ombro.
Guzonaro não encontrou Bliach e Noteiroo, e imaginou que ambos haviam
virado pó.
Então, encontrou Cesartsete e Larix. Estavam de mãos dadas, o que fez
ele acreditar que haviam sofrido antes de morrer, sufocados pelos escombros.
Seus corpos não estavam queimados ou mutilados, mas Cesar estava com seus olhos
bem abertos, que daria pesadelos a Guzonaro por muitos meses, isso se
sobrevivesse até lá.
O Shaman da Luz parou para perceber uma coisa: Larix continuava
respirando. Ela apenas estava com seus olhos fechados, com ferimentos em torno
de seu corpo, e sua caixa torácica se expandia e contraia rapidamente.
Verificou se ela ainda havia pulso: Tinha. A pegou no colo e levou-a
para fora dos escombros, com medo de que ela acordasse e visse as cenas traumatizantes
que ele acabara de ver. A deitou na areia seca, e retirou sua camisa para ver
se havia algum modo de estancar o sangue que escorria pelo seu braço perfurado
por um pedaço de pedra.
Ela acordou após um tempo. Quando tentava falar, sua voz saía
extremamente rouca e pouco compreensível.
- Guzo... o, o que aconteceu?
Lágrimas saíram de seus olhos. Não sabia como contar o que acontecera
com medo de abalar a última sobrevivente do grupo.
- Por quê você está chorando? Não me diga que...
- Sim, Larix. Estão... estão todos mortos.
Ela tentou chorar, mas não conseguiu.
- Me mate, Guzo. Por favor.
- O que? Não!
- Por favor. Meu corpo dói demais, e não quero viver se o mundo está
nessa situação. Provavelmente não passarei daqui, então, por favor... Acabe com
meu sofrimento.
- Eu não consigo. - dessa vez, ele chorava desesperado, parecendo uma
criança. - Eu não vou fazer isso, Larix. Eu posso te salvar, eu...
- Pare. Você não pode me salvar.
- Mas...
- Vou te privar disso. A... adeus.
- Não faça isso!
Era tarde demais. Ela provocou, pela pouquíssima reserva de poder que continha,
um ataque cardíaco em si mesma. Fechou os olhos, que estavam em lágrimas, e
deixou o mundo.
Ele entrou em estado de choque, e sentiu tudo cair para trás. Se
espatifou na areia não tão macia do terreno cheio de crateras que antes era um
bonito deserto.
Você
sente falta dela, Guzonaro?
- Calma, quê? Quem é você?!
O
seu maior pesadelo. Literalmente.
- Vá embora daqui!
O
que há? Está com medo?
- É você, não é? Eu vou arrancar seu coração
de fora do seu peito, seu desgraçado!
Você
é engraçado. Aqui vai mais uma coisa engraçada: Tirei a sua coisa mais
preciosa, e meu mestre tirou o resto. Como você se sente sobre isso?
- Ódio. Matarei vocês dois, seus filhos
da puta.
Estou
apenas aguardando. Mas, calma aí, você está no meio de um deserto, sem saber
para onde ir, sem seus amigos ou seu protetores. Como planeja tentar se vingar?
- SAIA DAQUI!
A imagem de seus amigos assassinados
apareceu em sua mente. Primeiro foi Cnpj, com a estaca em sua testa. Depois os
corpos queimados de Quecafe e Noivinho, então Furanshisu, Cesartsete, e viu que
Bliach e Noteiroo também estavam mortos, porém irreconhecíveis. Por fim, Larix,
que causara uma parada cardíaca nela mesma.
Você
está perdido.
Acordou, desejando que tudo o que aconteceu fosse um sonho. Mas
continuava sendo a verdade: Seus amigos estavam mortos.
Estou sem opções, pensou. Vou
ter que encontrar alguém.
E começou a caminhar sem rumo algum, até que viu uma esperança. Um projétil
azul subiu ao céu, sinalizando seu caminho, e andou até ele.
CAPÍTULO IV- Liderança.
Louiz começava a perceber
que mandar nas pessoas não era uma tarefa divertida, muito menos fácil.
Principalmente quando você se encontra no meio do nada depois de ser varrido
para longe por uma explosão e ver tudo acabar em um piscar de olhos.
Ele e o grupo estavam em
conjunto na hora da explosão, e foram jogados para o mesmo lugar, por sorte.
Porém, Meirelez, aquele que provou ser o mestre ideal para todo mundo
provavelmente estava no outro lado do mundo, e os Shamans Mestres haviam sido
lançados para outro lugar também.
Acordou no meio de uma
cidade deserta com os corpos de seus amigos espalhados. Ele conseguiu
recolhê-los, e procurou por alimentos no lugar onde estava, achando alguns
snacks e barrinhas de cereal que deviam estar vencidas. Aquilo era o que ele
poderia conseguir, então não havia problema. Após procurar em boa parte da
cidade, retornou para onde o grupo estava. Dehco e Ferpinky haviam acordado,
mas ainda estavam feridos e mal conseguiam abrir seus olhos.
- Não tentem se levantar.
- falou Louiz, preocupado.
- Caralho, que dor. Onde
estamos? - perguntou Dehco, falando roucamente.
- Não sei. Só sei que
aquela explosão fez a gente voar e paramos em uma cidade deserta. Eu consegui
alguns medicamentos, vou tentar cuidar de vocês.
- Por quê você está sem
ferimentos? Eu te invejo. - disse Ferpinky.
- Não sei. Eu simplesmente
acordei, nada estava doendo. Eu realmente não entendo, mas acho que temos sorte
de pelo menos um da equipe estar capacitado de cuidar do resto...
Ouviram um grito alto, que
vinha de Tattu.
- O que aconteceu nessa
porcaria? Só me lembro de voar por aí e ver alguns unicórnios mágicos do meu
lado.
Louiz não conseguiu evitar
de rir, apesar de todas as desgraças que vêm acontecendo.
- Eu consegui arranjar
alguns alimentos e consultas de feitiços medicinais, talvez dê para curá-los. O
problema é achar o Meirelez e os Shamans de Elite, que podem até estar mortos
nesse momento.
- Acho que você poderia
lançar uma energia sinalizadora para o céu, talvez alguém acordado venha aqui.
- falou Dehco.
- É, boa ideia. Farei
isso. - então, ele lançou uma esfera de plasma para cima, fazendo uma
luminosidade azul que poderia chamar a atenção de muita gente.
O sol estava começando a
se pôr, e Louiz rapidamente arranjou pedaços de madeira para fazer uma
fogueira. A cidade era cheia de prédios abandonados e lojas, e possuía um tom
sombrio que assustaria muitos, mas ele nem ligava para isso. Ele havia
arranjado alguns colchonetes e havia colocado os ratos desmaiados neles, e
começou a estudar seus livros de feitiços que surpreendentemente deram certo e
foram suficientes para curar os que estavam acordados, ainda que se sentissem
enfraquecidos. A noite caíra, e a única coisa agora que poderia iluminá-los era
a fogueira construída.
- É, estamos ferrados. -
comentou Dehco. - Acho que nós deveríamos aproveitar nossos últimos dias de
vida, enquanto Quedro reconstrói a Espada de Zähr e mergulha o mundo na
escuridão.
A tentação para a
desistência era muito forte, mas não era o certo.
- Nós ainda possuímos
esperanças, cara. Meirelez... - respondeu Louiz, sendo interrompido pelo
pessimismo.
- Seja realista, porra.
Glego e todos os Shamans Mestres estão mortos, além de Luke, e mesmo que
encontremos Meirelez ele não seria capaz de derrotar a Shadow's Legacy em
realidade alguma, nem os Shamans de Elite. Quedro provavelmente já pegou uns
três cristais a mais neste momento e está cada vez mais perto de ter o domínio
completo de toda a escuridão, e você nos vem falar de ter esperanças? Eu não
quero passar os últimos momentos da minha vida lutando por algo em vão.
O rato psíquico sabia que,
no fundo, era essa a realidade. Uma das poucas coisas que o prendiam no mundo
era Quip, que agora se fora. Mas ele podia sentir que Meirelez ainda poderia
ser o grande salvador, aquele que garantiria a triunfo do Transformice sobre o
mal.
Eram inúmeros pensamentos
passando por sua mente. Haviam tantas possibilidades de derrota... Bastaria um
avião da Shadow's Legacy chegar naquele momento e atirar cannons até que todos
estivessem mortos, mas ainda possuía esperanças de que algo de bom iria
acontecer.
"HEY!"
Todos olharam para o rouco
grito que surgiu, que revelou ser de Guzonaro. Até Kusu, que permanecia
inconsciente, acordou por causa do barulho.
- Estou aqui! Sou eu,
Guzo!
- Quem é esse retardado? -
perguntou Tattu, irritado.
- Não faço nem ideia.
O shaman da luz chegou ao
pequeno acampamento.
- Como é bom ver vocês!
Vocês por acaso sabem o que aconteceu na base?
O grupo se entreolhou, não
entendendo quem era esse cara. Louiz então respondeu:
- Quedro lançou uma esfera
negra de energia e explodiu os Shamans Mestres e levou a base junto. E você
é...
- Vocês não lembram de
mim? Sou eu, Guzonaro!
- Cara, a gente não tem
nem ideia de quem você é. - falou o shaman psíquico.
- Ah, é, acho que apenas o
Meirelez me conheceu... por falar nisso, onde ele está?
- Provavelmente do outro
lado do mundo. - disse Dehco.
- Bem, creio que aquela
tal guerra não tenha dado muito certo, não é?
- O que você acha? -
respondeu Tattu. - Todos desmaiados e cheios de ferimentos em com uma fogueira,
colchões velhos em uma cidade deserta.
- Afinal, o que houve?
- Travamos uma guerra,
Glego, Ratof, Quip e Luke são mortos, Meirelez tem um ataque de fúria e se
torna uma espécie de novo Shaman Mestre, Quedro decide que todos os Shamans
Mestres deveria morrer e aqui estamos. - respondeu Ferpinky.
A expressão de Guzonaro se
fechou imediatamente. Seu olhos se arregalaram e colocou sua mão no rosto.
- O... o Glego está...
morto?
- Não, eu sou uma babaca e
gosto de mentir.
- PESSOAL! Brigar com
certeza não é a melhor coisa, e Guzo pode servir de ajuda. Não podemos ser tão
sádicos assim.
- Todos meus amigos
morreram com essa explosão, e da forma mais violenta possível. Eu quero ajudar
vocês a se vingarem de Quedro!
- Más notícias, amigo. O
mundo que você conhece está prestes a acabar, porque ninguém mais tem
capacidade para isso. - falou o shaman lutador.
- Não fale isso, nós
precisamos lutar, nós... - respondeu o shaman psíquico.
- Não recomece esses
discursos de motivação, eles não darão certo. Aceite, estamos mortos.
Louiz começou a sentir seu
sangue ferver. Se controle, não extrapole.... Tarde demais.
- Você acha mesmo que vou
ficar parado enquanto Quedro arranca tudo de mim? Na moral, vão se foder. Vocês
estão sendo extremamente egoístas ao falar...
- Egoístas? Todos do nosso
grupo estão sendo sacrificados para protegermos ratos que nem conhecemos. -
interrompeu Dehco.
- Não importa! Estamos
sendo egoístas pois todas essas vidas terão sido tiradas em vão caso fiquemos
aqui sentados. Vocês nem querem se vingar? Isso não é um motivo bom o
suficiente?
- Você é o único que
consegue ficar de pé aqui sem esforço. Tá, tá, você curou nossas feridas, mas a
cura não é suficiente para acabar com o rato que matou o Shaman Mestre.
- E deixarão que o maldito
se safe sem fazer esforço algum. Vocês não viram o que Meirelez fez naquele
covil? Ele simplesmente dissolveu aquela esfera, a mesma que destruiu uma base
inteira. Acham mesmo que ele não consegue fazer a diferença?
Guzonaro estava espantado
com aquela briga, mas decidiu não interromper.
- Ok, vamos contar. Temos,
o quê? Seis ratos de nível seis praticamente incapacitados, cinco de nível sete
que estão sumidos e o mais poderoso que sei lá qual o nível também sumido.
Quedro deve ter, tipo, um exército de quinhentos ou mais ratos com todos os
tipos de níveis. Qual é a nossa chance?
- Temos o Transformice ao
nosso lado. Nós não somos os únicos que podem batalhar.
- Pois bem, que o
Transformice o faça. Eu cansei de me esforçar. Boa noite. - ao falar isso,
Dehco se virou para o lado e tentou dormir.
Todos fizeram o mesmo.
Louiz ficou ali, parado e em pé, vendo aquela cena. Só aí percebeu que Guzonaro
ainda estava ali.
- Tenho dois colchões de
sobra. Deite-se, amanhã tentarei convencer eles.
Ambos se deitaram. O
shaman psíquico achou que não ia conseguir dormir, mas se apagou imediatamente.
Você pensa
mesmo que conseguirá nos impedir?
Louiz acordou, mas não via nada além de uma névoa
sombria. Apenas ouvia vozes, e começara a se desesperar.
- Quem é você?
O Shaman da
Luz também me perguntou isso. Mas isso não te importa, mas o que acha de relembrarmos
a vida?
- Me responda!
As imagens começaram a passar por seu rosto. Meirelez
ajoelhado chorando sobre o corpo de Bx, a explosão no deserto, a cena de Kurt
sendo perfurado por um cristal, Quip morrendo em suas mãos, Luke com seu peito
atingido por um fio negro, a morte de Glego e a explosão da base.
Ele queria chorar, mas suas lágrimas não saíam.
Sua vida é
épica! Eu queria ter uma assim. Mentira, não queria não. Você está fadado ao
fracasso e morrerá cedo. Aproveite seus últimos momentos de vida...
- Eu vou te matar!
Eu acho que
não. Você não possui mais apoio algum. Está sem esperanças. Até logo!
Louiz sentiu uma dor psicológica, a mesma que usara
para torturar os assassinos de seu melhor amigo. Sentiu seu corpo pegar fogo, e
seus órgãos corroerem por dentro... E se desfez, explodindo em sangue.
- Louiz! Acorde!
Ele abriu seus olhos,
assustado. Guzo estava em sua frente.
- O que foi?
- Um avião sobrevoando! E
acho que é da Shadow's Legacy!
Ele se aproximava, com uma
sombra estranha vindo logo atrás.
CAPÍTULO V- Poder.
Quedro estava em uma festa dentro de uma mansão
gigantesca. Havia piscinas, carnes de alta qualidade, bebidas e,
principalmente, mulheres de biquíni.
- Quero te usar, sua gata! - exclamava para uma
garçonete modelo ao seu lado.
- Como você é atencioso! - a rata respondeu.
- Sim, na minha cama você vira uma égua e eu viro seu
cavalo!
- Ei, mais educação! - subitamente, ela golpeou-o com
sua bandeja. - Nem em sonhos esse babaca me pega!
HAHAHAHAHAHAHAHA!
- NICKPORTO, PARA MINHA SALA AGORA!
Ah, fala aí,
essa foi engraçada, não?
- AGORA!
Estou indo.
Quedro acordou de seu
sonho, irritado. Um rato com pelos negros e cabelos compridos entrou na sala.
Possuía uma pena preta, revelando que era um Shaman das Sombras, além de uma
espada embainhada. Disfarçava alguns risos enquanto se reverenciou ao seu
líder.
- Mais um sonho lúcido que
você interfere e eu te mato.
- Ok. - continuava a
segurar uma risada histérica. - Algo mais?
- Daqui a algumas horas
você irá buscar o nono cristal. E eu sei que aquele grupo que sempre tentou me
impedir está vivo, então dê algum trabalho para eles. Faça-os sofrer.
- Certo, mas como você
espera que eu faça isso?
- Você é o mestre dos
sonhos, não é? ENTÃO DEMONSTRE SEU PODER, IDIOTA! - gritou Quedrogameu na sala.
- Como se eu soubesse quem
eles são.
- Eu quero que você tenha
foco nesses dois: Meirelez e Louiz. Faça-os sofrer, e bastante.
- Certo. Que horas devo
ir?
- AGORA!
Nickporto fez uma reverência
e saiu, deixando o Shaman Mestre novamente sozinho.
Sozinho: Essa era a
palavra-chave. Quedro se sentia solitário desde que seu parceiro havia morrido,
e percebia que estava ficando cada vez mais louco sem o rato que lhe dava
sanidade e o mantinha nos eixos. Ele sempre afastava tais pensamentos ao
perceber que em breve estaria com a Espada de Zähr em mãos e acabaria com todo
o Transformice após isso, mas não parecia ser a mesma coisa sem um parceiro
para comemorar.
Ah, foda-se, ficar triste
por estar sozinho é coisa de perdedor, tipo aquele grupo de busca...
Esse pensamento o fez rir
sem motivo algum, talvez um simples ataque de insanidade. Riu mais alto, jogou
um cannon negro na parede por diversão e se olhou no espelho. Ele sempre tivera
a aparência de um rato normal: Pelos marrons, olhos negros assim como seus cabelos
que eram curtos e lisos, além das suas listras de Shaman das Sombras. Mas agora
seu cabelo parecia cinza, comprido e desbotado, seus olhos revelavam uma
expressão triste e medonha ao mesmo tempo e suas listras pareciam estar mais
desgastadas, sem todo aquele brilho que antes elas tinham.
Sentiu um pique em sua
cabeça, e viu a imagem de Glego à sua frente, com suas listras douradas e seu
cabelo branco que mostrava superioridade.
- Você me parece bem
acabado, Quedro...
- O quê? Você está morto! -
tentou jogar um projétil no espelho, que foi rebatido em seu próprio corpo. -
Suma daqui!
- O que está havendo, meu grande
inimigo? Você está no fundo do poço, não é?
- Eu nunca estive tão
poderoso! Eu vou ganhar! Eu...
- Você está insano. A
primeira coisa que você vai fazer com o poder do Cannon das Sombras Original é
causar uma explosão atômica que destruirá uma cidade inteira e modificará o
núcleo do planeta, o que já é suficiente para acabar com tudo. Não haverá lado vencedor.
- Eu tenho estabilidade!
Eu vou ser um comandante melhor que você!
- Você será o comandante
da areia. Não sobrarão servos para você, Quedro...
- CALE A BOCA!
Lançou um cannon no
espelho, quebrando-o e começou a chorar e rir ao mesmo tempo, caindo no chão.
Se contorcia, jogava esferas de energia por toda a sala, não entendendo o
porquê dele fazer isso.
Repentinamente, dois
soldados entraram na sala, carregando um shaman psíquico que estava algemado e
o jogaram no chão.
- Temos um prisioneiro,
m... Mestre?
Viram o ataque de fúria
que havia acontecido, mas Quedro rapidamente se levantou do chão como se nada
tivesse acontecido.
- Mais informações, por
favor. - falou o mestre.
- Éér, hm... Ah, esse
homem estava tentando matar alguns ratos da SL pelo Transformice inteiro,
geralmente com sucesso. Nós conseguimos capturá-lo, o que quer que a gente faça
com ele?
O rato, que estava no chão
ajoelhado, ria. Ele possuía pelos brancos e um longo cabelo negro, além de ter
um cetro guardado em suas costas.
- Ah, você é o chefão! E
nossa, você parece bem, hm... Feio. É, você é feio. Mas tenho prazer de
conhecê-lo! Meu nome é Joeyh. - falou o rato.
- Deixem-me sozinho com
esse cara.
- Mas, senhor...
- AGORA!
Os dois saíram correndo,
deixando Joeyh e Quedro a sós.
- Sua base é incrível!
Eu... - foi interrompido por um soco em seu queixo, e caiu no chão.
- Bem, olá para você
também.
- Que soco bem dado! Mal
consigo falar... Mentira, que lixo de soco, na moral. Achei que você era mais
forte, meh, então nem vale a pena...
- Você é retardado ou o
quê? - o Shaman Mestre começava a se irritar. - O que você quer aqui? Responda
direito, se quiser sair vivo.
- Hm, eu apenas sou um
andarilho que vaga por essas terras... Eu percebi que seus servos possuem uma
aparência bem engraçada e decidi matá-los porque eles eram bem estranhos e tudo
mais... Mentira, eu queria chamar a sua atenção mesmo.
Levou um chute na boca do
estômago, e ele riu ainda mais.
- Chamar a atenção para o
quê? - perguntou.
- Ok, esse foi bom! Enfim, acho que seria
divertido se eu, hm, entrasse para a sua organização. Parece ser algo bem
movimentado e tudo mais, ando com bastante tédio...
- E o que faria eu te
aceitar?
- Isso. - subitamente, as
algemas caíram de sua mão e em um piscar de olhos, ele pegou seu cetro e
golpeou Quedro no rosto, fazendo-o cair. Após isso, apontou a arma para o
interrogador. - Blá blá blá, sou foda e tudo mais. Então, como vai ser?
- Admito, isso doeu. - o
Shaman Mestre tirou o cetro de sua frente, levantou e deu uma joelhada na
barriga de Joeyh, seguido de um golpe em sua coluna que o fez cuspir sangue. -
Ok, isso era apenas para vingança mesmo, está aprovado.
Joeyh ainda bufava, sem
conseguir respirar direito. Levantou, pegando seu cetro do chão.
- Obrigado, maloqueiro.
Posso matar mais alguém agora?
- Ainda tenho que te
mostrar a base. Venha.
- É o seguinte, seus
maricas! Não quero enrolação para conseguir esse cristal, é simplesmente achar!
Ele está em um monumento na maior cidade do mundo, então não tem erro. - falava
Nickporto em sua aeronave que já decolara. Estavam sobrevoando um grande
gramado com vários morros.
Um estrondo é ouvido, e um
técnico grita:
- Alguém atirou algo
contra nós! O que devemos fazer?
- Deixem comigo, eu sei
bem quem é.
Retirou a dark sword de
sua bainha, abriu a comporta do avião e pulou para fora. Sua espada chocou-se
com outra idêntica, ainda no ar. O outro rato também flutuava, enquanto as duas armas se chocavam
- Prazer em lhe conhecer,
Meirelez. Sou o causador de teus sonhos.
CAPÍTULO VI- O causador de sonhos.
- Prazer em lhe conhecer
também. - falou Meirelez, ironicamente. Suas lâminas ainda estavam ligadas,
enquanto flutuavam no ar. O avião já estava longe, e eles estavam em cima de
uma cidade deserta.
- Sem frases de efeito, ó
grande salvador? Nenhuma fala marcante ou algo assim?
- É simples: Matarei todos
que apoiam aquele maldito. Não preciso de falas marcantes para expressar o meu
ódio por vocês.
- É tão interessante o
modo que você fala do futuro. Você pode ter matado muitos de nós, só que eu
serei seu último adversário. - após isso, ele conjurou uma rajada de antimatéria
enquanto as espadas ainda estavam se chocando, o acertando. Ele foi atirado
para longe, caindo no chão. Rapidamente, Nickporto avançou contra seu inimigo,
que já havia levantado. Ele defendeu o golpe, soltando várias faíscas negras,
tentando contra-atacar no peito. A lâmina foi desviada, e ele teve que se
abaixar para não ter a cabeça arrancada, lançando um cannon em seu oponente.
Ele foi jogado para longe, mas não se feriu.
- Isso está interessante!
- o mestre dos sonhos estralou seu pescoço. - Temos mais alguns minutinhos de
brincadeira... Dá pra fazer bastante coisa nesse tempo!
Meirelez olhava friamente
para o seu inimigo, tentando conhecê-lo. Ele sorria de forma amedrontadora e
psicótica, como se estivesse em apenas uma lutinha de criança.
Nesse momento de
distração, ele recebeu um golpe repentino em sua barriga, tropeçando para trás.
Nick tentou matá-lo com sua espada, mas ele a rebateu e se levantou. Criou uma
aura negra em seu corpo e conjurou um Crazy Spawn negro, que fez inúmeros
cannons serem espalhados pelo cenário, porém o general formou um escudo e se
defendeu, lançando um raio negro, mas Meirelez realizou a mesma ação e os dois
raios ligaram-se, iniciando uma disputa de poder.
- Isso é clichê demais,
sabia? - falou Nickporto, ainda sorrindo.
- Fale o que quiser.
- Ah, estou de saco cheio.
Após uma risada histérica,
lançou uma grande onda maciça de energia negra contra o shaman solitário, mas
este conseguiu se defender com um escudo e a ligação se desfez.
- Parabéns, você está
aprovado no primeiro teste! Provou que pensa rápido e de maneira eficiente,
agora vamos testar o resto! - se teletransportou para frente de seu inimigo,
tentando golpeá-lo com sua espada. O mesmo desviou, e percebeu que estava sem
sua arma. - Você está indefeso, hamster de esgoto! Lembra que sonhou com seu
corpo sendo cortado ao meio? Pois é, eu torno os sonhos das pessoas em
realidade!
Meirelez não respondia,
sabia que ele estava jogando com suas emoções. Precisava focar em não ser
dilacerado e arranjar um jeito de recuperar sua dark sword, não poderia entrar
em batalhas psicológicas naquele momento.
O mestre dos sonhos
investiu contra seu adversário, que conseguiu desviar para o lado e soltar um
projétil, mas o outro se defendeu também, lançando mais uma rajada negra que
parecia ser muito mais poderosa. Meirelez se esquivou novamente por pouco e
percebeu que aquela energia cortou um prédio inteiro e o fez desmoronar.
- Surpreso?
- Não, eu já vi uma
explosão atômica destruir uma floresta inteira. Isso não é nada demais.
- Posso fazer ainda mais,
se quiser...
- Como se eu me
importasse.
Nick se desintegrou e
reapareceu na frente de Meirelez e atirou uma grande onda de antimatéria à
queima-roupa, mas o shaman das sombras se jogou no chão e escapou do ataque, e
atirou um cannon negro enquanto estava deitado e fez seu adversário ir pelos
ares, caindo em uma pequena cidade ao longe. Pegou sua espada e foi na direção
do derrotado.
Levou um tempo até
alcançar o corpo, que estava estirado no chão, com a cabeça apoiada em uma
pedra. O rosto do shaman sangrava, mas ele não parava de rir. Meirelez apontou
sua espada na direção do rosto de Nickporto.
- Eu estava falando sério.
Eu matarei todos, repito, todos que apoiam Quedrogameu. - falou, logo após
decapitando-o.
A cabeça rolou pelo chão,
e uma substância negra começou a jorrar de forma excessiva de sua carne,
vaporizando-se ao ar. Então, o jovem rato sentiu um pique em sua memória - o
cristal -, e viu a aeronave voltar de onde havia ido, passando por cima de sua
cabeça. Começou a flutuar e avançou, tentando alcançá-la. Porém, ele foi
atingido por um cannon negro vindo de trás e caiu, e a aeronave desapareceu de
vista. Virou-se, e viu Nickporto rindo histericamente.
- Você sonha acordado, meu
caro! Ou seja, você continua em meus domínios. Não ache que serei um oponente
fácil, posso alterar as suas percepções de realidade! Um dia nos encontraremos
novamente. Durma com os anjos, isso se eu estiver de bom humor. Tenha uma ótima
noite!
Ele desapareceu daquele
lugar, deixando cinzas negras fluírem pelo ar.
Meirelez ficou confuso e
desestabilizado. Não entendia como alguém simplesmente escapara da morte após
ter a cabeça arrancada, contudo não demorou muito para perceber aquilo havia
sido uma ilusão. Nickporto era um grande perigo, e não seria fácil derrotar um
rato com tamanhas técnicas.
Ele ficou pensando nas
possibilidades, mas viu uma silhueta de um shaman da luz ao longe. Tentou
reconhecer quem era, e se aproximou cada vez mais.
- Oh, droga, esse cara
está vindo aqui! - gritou Guzonaro, vendo um Shaman das Sombras de cabelos
ruivos compridos com expressão assustadora se aproximar, principalmente após a
batalha que teve que assistir.
Ele estava em uma rua
inclinada, e o acampamento do grupo estava na parte baixa. Logo após ver que o
rato havia percebido que ele estava ali, Guzo rapidamente se escondeu e foi
avisar para seus novos amigos.
- Fique calmo, cara. -
falou Louiz. - Descreva a aparência dele.
- E-ele decapitou o outro
cara e aí esse cara ressuscitou e...
- A aparência, gênio.
- Ah, ele tem uma cara bem
brava e é bem assustador...
Louiz lançou sua mão ao
rosto, decepcionado.
- A APARÊNCIA, CARALHO!
- Pessoal! - gritou
Meirelez, que apareceu na parte de cima da rua. - Até que enfim encontrei
vocês!
Todos olharam para aquele
rato. Meirelez antes possuía pelos marrons e um cabelo laranja curto, e era bem
cuidado. Tinha uma aparência normal, como todos os outros, mas ele estava muito
diferente do que conheciam. Agora, era um pouco mais cinzento, e seus cabelos estavam
compridos e desbotados, com algumas mechas laranja-amareladas, e possuía uma
cicatriz em seu rosto, provavelmente contraída pela explosão da base. Sua íris
não era o verde de costume, agora avermelhada. Seu olhar demonstrava tristeza e
ao mesmo tempo uma certa esperança.
- Meirelez! - Louiz
gritou.
- Bem, temos o destino do
mundo em nossas mãos. Antes que tudo, preciso ter uma conversa longa com todos
vocês. E espero que tenham comida.
CAPÍTULO VII- Timidez.
Eram onze horas da manhã,
e uma hora havia se passado desde a batalha contra Nickporto. Meirelez e todo o
grupo estavam sentados, com a fogueira apagada. Ele havia pegado alguns
alimentos que Louiz coletou, e os comeu. Não comia há, no mínimo, uns três
dias, e devorava as barrinhas de cereal.
Estavam silenciosos,
falavam pouca coisa, já que o líder não dizia nada pois mastigava os alimentos.
O grupo o encarava como se fosse outra pessoa, era extremamente perceptível sua
mudança desde a primeira missão.
- Falem mais! Não procurei
vocês por dois dias para encontrá-los mudos. - quebrou o silêncio. - Como se
viraram após a explosão?
- O Louiz não se danificou
com a explosão, nos curou com uns livros de macumba lá e explorou a cidade. E
você? - falou Tattu.
- Eu acordei em um
gramado. Fiquei andando, até que vi um avião da SL vindo, tentei segui-lo, e
tive esse duelo que vocês provavelmente assistiram. - respondeu Meirelez. - Ah,
e como você chegou aqui, Guzonaro?
- Após a explosão, eu
estava desmaiado ao lado da base destruída. Procurei por corpos nos destroços,
e achei os de todos os meus amigos e ainda mais alguns soldados. Tive um
blecaute e o cara que você lutou contra realizou um pesadelo em mim. A explosão
não foi muito longe daqui, caso queiram pesquisar algo nos destroços, mas não
será uma cena bonita.
Meirelez analisou o Shaman
da luz. Percebeu que parte de seu rosto estava queimada, e via um olhar triste
nele. Estava tentando ser mais frio e um tanto quanto otimista ao invés de
remoer o passado, e respeitava essa decisão. Vira tantas mortes que também
parava de pensar no universo em que se encontrava, na situação que o mundo
ficou. Ainda haviam poucos danos, mas em breve Quedro começaria a atacar cidades,
e precisava agir logo, era a sua responsabilida...
Também não entendia como
tantos pensamentos vinham só de uma vez, em um misto de sentimentos,
responsabilidades e preocupações. E apenas um rato havia causado tudo isso.
- Mei, está tudo bem? -
perguntou Ferpinky.
- Ahn, ah, estou, por quê?
- Você simplesmente ficou
olhando pro céu sem nenhuma reação, achei que você tinha visto alguma coisa
ruim. - respondeu.
- Apenas estou pensando na
vida. Enfim, precisamos voltar à ativa logo, Quedro está cada vez mais
conseguindo cristais, não podemos vacilar. Eu vi qual é a localização do
próximo, que... - acabou sendo interrompido por Dehco.
- Pare com isso, cara, não
adianta. Eu não sairei para tentar recuperar essas merdas, já perdemos amigos
demais. Não vale a pena.
- Ah, é? Você possui plena
certeza disso? - respondeu o shaman das sombras.
- Sim. Estaremos nos
arriscando por ratos que nem conhecemos, que eles tentem salvar o mundo. Cansei
de batalhar tanto.
Meirelez olhou para o céu,
triste. Lançou sua mão ao rosto, como se estivesse pensando, e disse:
- Você é um babaca
egoísta. Todos nós aceitamos a decisão de entrar nesta aventura, nós sabíamos
dos riscos que correríamos. Fizemos um juramento, iríamos proteger o mundo.
Pense: Glego, Quip, Bx, Luke, todos os Shamans Mestres e os soldados que
estavam na base, mortos. E haverá muito mais, já...
- Exato. Nossos amigos
mortos por causa dessa merda, e eu não quero me juntar a eles.
- Você é muito engraçado.
Você devia saber que os únicos que estavam acima do nível seis morreram na
explosão, e mesmo que tentemos usar o Transformice inteiro, não adiantará. No
mínimo, eles irão recusar ou perderão a batalha, e o exército de Quedro
ultrapassa cinco mil ratos. Cara, lutando você possui uma chance de morrer, sem
lutar o seu fim é certo. Ele está insano, ele acabará com o mundo inteiro se
não o impedirmos. Não desista, Dehco. Ou nenhum de vocês. Nós somos a última
esperança do Transformice.
Todos permaneceram em
silêncio por um longo tempo.
- Você tem razão. - falou
Tattu. Os outros balançaram a cabeça, concordando, menos Dehco. - Precisamos
lutar.
- A decisão de vocês. Não
contarão mais comigo. Eu irei para casa, rever minha cidade. Foi uma honra
lutar com vocês, mas não posso continuar. Espero que sobrevivam.
Ele levantou de seu
colchão, deu meia-volta e foi embora em uma velocidade alta.
Meirelez abaixou sua
cabeça, triste. Todos pareciam ter o mesmo sentimento.
- Eu espero que vocês não
tenham a mesma mentalidade. Eu, mesmo que sozinho, vou continuar lutando.
Espero estar convosco, ou será um adeus.
O grupo se entreolhou, nervoso.
- Estaremos contigo, Mei.
- respondeu Louiz. - Iremos até o fim.
O líder sorriu.
- Muito obrigado. Não
poderia ter amigos melhores.
- Quem é você?
- Em breve, serei seu
aliado.
Growite havia acordado em
um campo ao lado de uma estrada. Os outros três Shamans de Elite estavam ali
também, todos acordados. Porém, Amanda e Soren estavam feridos e não
conseguiram se levantar. Grow e Luckz estavam ao redor de um rato dominador das
sombras, que não possuía uma de suas patas. Possuía um cabelo castanho curto,
um olho totalmente negro com uma cicatriz em volta, enquanto o outro possuía
íris vermelha.
Falava misteriosamente,
com uma voz rouca e grave. Trajava uma grande túnica roxa, com mangas curtas e
que mostravam o toco que era sua pata esquerda. Exalava uma pequena aura negra
ao seu redor, com um sinal intimidador.
- Luckz, que tal uma surra
pra esse cara falar algo? - falou Growite.
- Eu acho ótimo. -
respondeu o shaman das sombras.
Investiram contra o
misterioso rato, que simplesmente desapareceu. Tentaram entender o que houve e
ficaram procurando-o. Repentinamente, um grande braço negro surgiu do chão,
pegou Grow pelo rosto e o lançou contra o chão, desaparecendo. Um outro braço
surgiu, acertando Luckz no rosto.
O misterioso shaman
reapareceu, lançando raios negros nos dois Shaman de Elite, que conseguiram
desviar e tentaram atacar, mas o rato desapareceu novamente.
- Nos enfrente como alguém
com honra! - gritou o shaman da luz.
- Nope. - reapareceu atrás
de Growite, e golpeou sua coluna com o braço bom. Ele gemeu, virou-se para
contra-atacar, mas não havia ninguém atrás dele.
O shaman das sombras
reapareceu na frente de Luckz, que antes de conseguir se defender, levou um
golpe em seu queixo, caindo. Growite rapidamente tentou lançar um cannon de
luz, mas o rato desapareceu novamente e o cannon acertou em Luckz, que estava
levantando, o deixando inconsciente.
Soren tentou se levantar
para ajudar seu amigo, porém foi golpeado na nuca e caiu no chão, também
desmaiado. Amanda se assustou e tentou jogar uma pequena bombinha no shaman das
sombras. Este a segurou e explodiu em sua própria mão, sem feri-la, e lançou um
raio negro na shaman lutadora que também perdeu a consciência. Growite tentou
realizar um ataque surpresa, porém o misterioso rato desapareceu novamente.
- A propósito, meu nome é
Acanhado. - falou. Sua voz se propagou pelo ambiente, sem ele sequer aparecer.
- Hora de viajar.
Reapareceu. Growite tentou
golpeá-lo, porém Acanhado segurou sua mão, se contorceu e quebrou o braço do
shaman da luz com seu pé. Em seguida, atirou um cannon negro em seu adversário,
que foi jogado contra uma pedra e desmaiou.
Então, Acanhado criou um
portal negro no chão e jogou os corpos desfalecidos nele, logo após entrando
dentro dele, fechando-o novamente.
CAPÍTULO VIII- Improvisação.
O grupo caminhava pela
cidade deserta. Após algum tempo, Meirelez havia ajudado Louiz a curar todos.
Liderava o grupo, planejando o que fariam dali em diante, sem a Base e o apoio
que antes tanto precisavam.
Era meio-dia. A cidade
estava clara, mostrando o quão macabra podia ser. Prédios cinzas abandonados,
casas demolidas, silêncio absoluto. Não havia nenhuma fonte de iluminação ou
vida naquele lugar, sem nenhuma vegetação, o que era estranho e levava todos a
imaginar que alguém havia destruído e matado todos os ratos que antes moravam
ali.
- Continuem a procurar
alimentos e mais desses livros, que eles podem ser úteis. Tentem fazer isso
rapidamente, por favor, pois ficaremos aqui apenas por mais algumas horas e
partiremos para a busca de outro cristal. - comandou o agora líder do grupo.
- E como vamos sair daqui,
cara? - perguntou Louiz.
- Lembram da nossa
primeira missão, lá nas montanhas de gelo? Quando tivemos que escapar de lá com
um avião destruído? Nos viramos e conjuramos um helicóptero, que funcionou
muito bem. Podemos fazer isso novamente, e um melhorado, agora que temos tempo.
Daqui em diante teremos que sempre improvisar, pessoal. É o seguinte: Bruh,
Tattu e Louiz irão conjurar o helicóptero. Kusu e Ferpinky explorarão a cidade,
e eu e Guzonaro ficaremos dando cobertura para caso Quedro decida enviar alguém
para acabar com a gente. Entendido?
- Espere aí cara, organize isso um pouco melhor. Onde vamos
fazer o tal helicóptero? - falou Tattu.
- Naquele campo um pouco
aberto, bem ali - apontou. - Louiz deverá usar suas habilidades psíquicas para
fazê-lo funcionar. Enfim, não podemos perder mais tempo. Vamos.
Meirelez segurou Guzonaro
em suas costelas, e voou para o topo de alguns prédios. Kusu e Ferpinky andaram
novamente pela cidade, em busca de coisas úteis, enquanto os outros três
começaram a construir o helicóptero, sem muita pressa.
- Ei, Quedro, seu viado!
Quedro, que estava olhando
o seu notebook, desviou a atenção para a porta, avistando Joeyh. Ao seu lado,
estava Nickporto, com um cristal na mão.
O jogou para a mão de seu líder, que sorriu.
- Obrigado, Nickporto. E o
que o maníaco está fazendo aqui?
- Quando você vai me
colocar em uma missão, porra? Já estou começando a ficar irritado pra caralho.
- Ah, cale a boca, você é
só um novato de bosta. - respondeu Nickporto.
- Cale você, sua bichona!
Posso explodir você em pedaços...
- Tente.
As mãos de Joeyh começaram
a se iluminar com plasma, porém Quedro criou uma barreira entre os dois.
- Calem a boca. Parecem
duas crianças brigando pelo controle 1 do Playstation. E vocês dois liderarão a
busca pelo décimo cristal, levem uns quinze soldados, sei lá. Apenas peço que
coletem rapidamente.
- Não tem como tirar esse
emo da missão? Eu me viro sozinho. - falou Joeyh, ironizando com o cabelo um
tanto quanto comprido de Nickporto.
- Teu cabelo é igual o
meu, demência.
- Foda-se! Só sei que não
quero ir na missão com esse baitola!
- Eu não falarei duas
vezes. AGORA! - gritou o líder.
Os dois se silenciaram com
o grito que ecoou em seus ouvidos.
- Que seja. - falou Joeyh.
- Idem. - respondeu
Nickporto.
Viraram-se, e foram buscar
soldados para irem em busca dos cristais. Caminharam pelo corredor, até
chegarem no elevador que os levaria para os andares mais baixos.
Tentaram não se olhar, até
que Nick quebrou o silêncio.
- Você fará o que eu
mandar e quando eu mandar. Eu sou o general dessa porra, então me respeite.
Entendido?
- Nah. Não sou tua nega.
O sangue subiu na cabeça
do general, que se estressava cada vez mais.
- Estou. Falando. Sério.
- Tanto faz, caralho!
A porta do elevador abriu,
e foram convocar os soldados, sem se olharem.
O helicóptero estava quase
ficando pronto. Kusu e Ferpinky coletaram alguns pertences necessários, como
alimentos e roupas, utilizando o tempo livre para ajudar na construção do
veículo. Meirelez e Guzonaro continuavam em cima dos prédios, atentos à
qualquer ataque.
- O helicóptero está
ficando pronto? - perguntou o líder, curioso.
- Quase! Apenas falta um
jeito de colocar um combustível e testar! - gritou Bruh, no chão. Começaram a
criar um mecanismo para fazer fogo, junto com líquido do plasma, se tornar um
combustível efetivo.
- Cara, vou lá embaixo
ajudar eles, ok? - perguntou Guzonaro.
- Não, continue aqui. Eles
estão se dando bem, se preocupe com o inimigo.
- Ah, pare de ser tão
preocupado. - Guzo estava para usar seus poderes de luz para, com o spirit,
conseguir chegar embaixo com segurança, até que um projétil negro surgiu
repentinamente, acertando o chão em que o shaman da luz estava apoiado, caindo de
uma altura de quatro andares.
- Droga! - gritou
Meirelez, avistando uma aeronave que vinha rapidamente, tentando contra-atacar
com um cannon negro.
- Desvie dessa merda,
piloto! - gritou Nickporto, avistando o cannon vindo da janela. Assim o fez, o
avião se virou e o projétil passou sem danificá-los. O general, agora mais
perto e com uma mira melhor, contra-atacou contra Meirelez, atirando um raio
negro. O rato conseguiu desviar, formando um grande escudo em torno do
helicóptero que estava praticamente pronto, e outro em torno de Guzonaro, que
jazia caído no chão.
- Apressem-se! Vou tentar
continuar a defender vocês, mas não aguentarei por muito tempo!
O jovem rato podia ouvir a
voz de Nickporto, ao longe. "Isso não salvará vocês!". Com um grande
sentimento de raiva, atirou uma grande rajada de antimatéria para destruir aquele
avião, mas uma estranha onda sônica bloqueou o ataque, que se dissolveu ainda
no ar.
- Eles tem um shaman
psíquico, merda. ANDEM LOGO!
- Está pronto, cara! Sem
testes, mas acho que funciona! - gritou Louiz.
- Que se dane, vamos logo!
A aeronave se aproximou
ainda mais, e desta vez Nickporto lançou um ataque ainda mais poderoso, que
destruiu o prédio inteiro em que Meirelez estava, mas por sorte o shaman pulou dali
antes de ser atingido. Ajudou Guzonaro a se levantar, que mancava um pouco, e
tentaram ir para o helicóptero rapidamente. Porém, ele estava com muita dor e
não conseguia correr, o que obrigou Meirelez a carregá-lo. Chegaram ao
helicóptero, mas a aeronave da Shadow's Legacy já estava passando por cima
deles, e o general lançou uma granada negra em cima do helicóptero. Louiz foi
capaz de formar outro escudo em cima deles, que impediu qualquer dano.
- VAMOS LOGO!
Todo o grupo entrou no
helicóptero. Bruh, que estava sentava na cabine de piloto, começou a fazer com
que ele flutuasse.
- Parece que funciona! -
falou Louiz.
- Tem como fazer essa
coisa ir mais rápido? - disse Tattu, impaciente.
- Vou tentar. - respondeu
o shaman psíquico.
Levantou suas mãos para o céu,
fez movimentos circulares com ela, e uma aura azul surgiu em torno do veículo.
Lançou suas mãos para a frente, e o helicóptero pareceu ser levado pela energia,
indo em uma velocidade comparável com a do avião de Quedro. O veículo
improvisado fazia movimentos não convencionais, mas continuava no ar sem muito
perigo.
- Cara, você melhorou
bastante. - falou Meirelez.
- Hm, valeu. Bruh, como
está aí? - respondeu Louiz, logo após com uma pergunta.
- Eu não estou controlando
quase nada, você está meio que fazendo todo o trabalho.
- Hm, e já estou começando
a ficar cansado. Onde é?
- Está em uma praia, não
muito longe daqui, creio eu. - o líder respondeu.
- PESSOAL! - gritou Bruh,
interrompendo Meirelez. Cinco cannons foram lançados, com objetivo de não terem
chances de escapar. - ELES ATACARAM!
- Deixem comigo. - falou Meirelez, abrindo a porta do helicóptero e escalando
para cima. Então, tentou dominá-los, os desviando para o lado. Ergueu suas mãos
para o céu, pronto para formar um Crazy Spawn, e ia lançá-lo.
Nickporto continuava a
olhar pela portinha da aeronave.
- É, eles são
persistentes. - repentinamente foi empurrado da portinha, caindo do avião.
- Deixe que o mestre cuide
disso, seu merdinha! - falou, e apontou sua mão para o helicóptero. Os cannons
caíram repentinamente.
- Pessoal, um shaman
psíquico está me impedindo! Faça alguma coisa, Louiz! - falou Meirelez,
impedido de lançar o ataque com suas mãos sendo dominadas.
- Vou fazer o que posso! -
disse, lançando seu dedo à sua mente, enquanto continuava a movimentar o
helicóptero. Uma dor de cabeça forte veio nele quando tentou, e gritou de dor,
se contorcendo no chão. O helicóptero desacelerou.
Joeyh continuava a dominar
Meirelez, e agora tentava impedir o avião de continuar a se mover. Nickporto
surgiu novamente dentro do helicóptero por teletransporte após ser derrubado, e
socou com força o rosto do shaman psíquico, que foi lançado contra uma parede.
- Vai se foder, seu merda!
Da próxima vez, farei muito pior! - virou-se para a porta. Apesar do golpe que
Joeyh recebeu, Meirelez continuou preso pelas habilidades psíquicas, de alguma
forma.
- Droga, o helicóptero vai
parar! LOUIZ! - gritou Bruh.
Ele continuava com as
fortes dores.
- Esse poder... Não é
possível... - murmurava.
- Estou sentindo o
Cristal! - gritou Kusu.
O helicóptero parou de se
movimentar pelas habilidades psíquicas de Louiz, agora apenas pelo combustível,
que não era eficiente em questões de velocidade.
- Mas que droga! Eles
estão escapando! - gritou Meirelez, enquanto as aeronaves passavam por algumas
montanhas. - Não podemos perdê-los, já estamos chegan...
Não conseguiu terminar a
frase. Receberam outro cannon negro, este muito mais forte, acertando a parte
lateral do helicóptero. Começaram a cair, encontrando o chão em uma das
montanhas.
A aeronave da Shadow's
Legacy pousou na areia da praia. Nickporto assistiu a queda de seus inimigos,
dando uma risada sádica. Joeyh levantou do golpe que havia recebido quando o
avião parou de se movimentar, e partiu contra o general.
- Seu filho da puta do
caralho! Eu vou te estrangular! - gritou, empurrando Nick. Os outros soldados
assistiram, se divertindo com a briga. - O que você pensa que está fazendo?
- Você me empurrou de um
avião, retardado! Achou que eu ficaria de boa com essa babaquice?
- E você, que estava
levando um coro daquelas crianças que nem devem saber como mijar na privada? No
fim, fui eu que resolvi toda essa merda!
O general formou uma
energia em suas mãos, mas hesitou.
- Ah, foda-se. Vamos
procurar essa merda de Cristal logo e ir embora.
- Pode ir andando. A porta
é a serventia da casa, ou aeronave, sei lá.
- Pessoal! - gritou Meirelez,
enquanto o cannon os acertava, bem ao seu lado.
Quando o helicóptero acabou se virando, ele caiu no chão inclinado de
uma montanha, com vários matagais. Viu uma esperança: O veículo estava com uma
aura azul em torno dele, caindo mais lentamente, bem na frente de uma montanha,
fazendo o shaman correr para verificar o que ocorreu.
Ao chegar no local da
queda, viu que, apesar de estar pegando fogo, o helicóptero não havia explodido
ou se tornado um grande pedaço de sucata. Avançou para verificar como a equipe
estava, e percebeu que os shamans já conseguiam sair dali. Ajudaram Guzo, que
estava machucado, e Louiz, que estava inconsciente, a saírem dali.
Se afastaram do veículo
rapidamente. Logo após isso, ele explodiu em vários pedaços que se espalharam
por todo o campo. Aparentemente, apesar de ser uma praia, não haviam habitantes
ali para ver qualquer cena da batalha.
- Mas que merda! - gritou
Meirelez, socando o chão. - Ainda assim não foi suficiente! Eu só queria
entender, como que eles conseguem ser tão desgraçados dessa maneira, que caralho,
eles não tiveram trabalho algum pra derrotar a gente! Bastou uma dominação de
habilidades e um cannon para destruir um helicóptero inteiro, porra!
- Cara... - falou Louiz,
acordando, com sua cabeça nas pernas de Ferpinky.
- O que foi? O que
aconteceu naquela merda?
- Aquele shaman
psíquico... Ele é um nível 8. E dos melhores. Estamos em grande perigo...
Meirelez lançou suas mãos
aos cabelos, tentando digerir as informações. Um shaman das sombras que simulou
uma morte e um shaman psíquico que bloqueia outras habilidades.
- Vocês pegaram os
alimentos, ao menos? - perguntou.
- Droga! - gritou Kusu. -
Eles ficaram no helicóptero!
- MAS QUE M... - Meirelez
foi interrompido por um rato que surgiu atrás dele.
- Vocês não precisarão
desses alimentos. Posso ajudar vocês, com qualquer coisa.
Meirelez se virou.
- Quem é você?
- Bem, meu nome é Geladou.
E eu tenho uma casa para vocês.
CAPÍTULO IX- A frieza do fogo.
- Senhor.
- O que foi?
- Encontramos um novo nível oito. Ele mora em um
vilarejo afastado aqui, é shaman do fogo, e me parece ser bem poderoso, sendo
capaz de conjurar o ataque Explosão.
- Certo. Fale-me a localização.
- Ele mora perto de Sentinel Beach. Mas por quê você
quer saber?
- Porque eu cuidarei disso pessoalmente.
- Como assim, "tenho
uma casa para vocês"? - perguntou Meirelez, confuso com o que havia
acabado de acontecer. - Nós sequer te conhecemos!
- Está tudo bem. Aqueles
aviões lá, eu conheço eles. São assassinos e estão dizimando vários vilarejos
aqui por perto, e creio que vocês devem ser os combatentes, algo assim. Apenas
quero ajudá-los.
O grupo se entreolhou.
- Espere um pouco,
Geladeira sei lá o quê. Eu preciso saber se você é de confiança, porque já nos
ferramos demais nos últimos dias e não quero mais problemas. - respondeu
Meirelez.
- Eu posso até mostrar o
meu vilarejo queimado, se quiser! Tive a sorte de conseguir uma casa. E não é
muito longe daqui, nem o vilarejo, nem o meu pequeno lar. Posso fazer comidas
que vocês não devem comer há dias e entregá-los algumas roupas, podem confiar.
Meirelez se aproximou do
grupo e trocou algumas falas. Após um tempo argumentando, a equipe decidiu que
aquele shaman parecia ser confiável.
- Certo. Nós iremos com
você, mas quero ver o suposto vilarejo antes. E eu realmente espero que o que
você falou tenha sido verdade, pois eu não serei nem um pouco misericordioso
caso você tente qualquer coisa. - falou o líder.
- Tá tranquilo. Não estou
preocupado com isso, mas sigam-me. Mostrarei a vocês o que aconteceu. -
respondeu o shaman.
Ele começou a andar.
Meirelez pegou Guzonaro em seu colo, e Tattu ajudou Louiz a caminhar. Passaram
pelas montanhas, atravessaram um pequeno bosque e começaram a sentir um cheiro
de cinzas. Quando conseguiram sair do meio das árvores, encontraram o vilarejo
destruído. E era uma cena terrível.
O grupo observou o que
havia acontecido. O local era pequeno, não devia passar de duzentos metros
quadrados, mas estava totalmente acabado. O que antes eram casas, viraram
vários amontoados de tijolos destroçados, enquanto eles conseguiam chegar a ver
alguns corpos queimados em decomposição. O chão inteiro estava tingido de preto
por causa da fumaça e não existia um aposento que não tinha virado um morro de
pedras.
- O que aconteceu aqui? -
perguntou Kusu, assustada.
- Um shaman das sombras
destruiu tudo. Não sei o porquê, mas ele assassinou todos que moravam aqui. Me
lembro de sua risada sarcástica, seu olhar insano. Ele tinha prazer de
aniquilar todos os ratos. Pessoas inocentes queimadas e sofrendo, um caos que
tomou conta daqui. Eu cheguei a tentar batalhar contra ele, mas já havia
fugido.
Permaneceram em silêncio
por um tempo. Meirelez observava o inferno que aqueles lares haviam se tornado,
com tantos inocentes mortos de uma só vez. Sentiu uma dor no peito, uma vontade
de conseguir ajudar todos os que estavam em perigo, e ficava ainda mais
irritado quando pensava que ele não conseguia isso. Muitos ainda iriam morrer
nessa batalha.
Compreendeu o lado de
Gela. E, finalmente, respondeu:
- Nós iremos com você. E
sinto muito por tudo. - disse. A equipe também concordou.
- Obrigado. Bem, me sigam
novamente! Vou já planejar o alimento que darei a vocês.
Começou a andar, e eles
novamente fizeram o caminho que ele construía. Ultrapassaram o bosque, e quando
chegaram ao outro lado, ele apontou para a esquerda.
- É ali! - falou,
mostrando uma casa que ficava ao longe, na parte inclinada de uma montanha.
Foram naquela direção, até
chegarem no esperado lar. Se encontrava na beira, com uma pequena escadinha até
chegar na porta principal. Ao lado da casa havia um pequeno campo reto com
alguns pomares e plantações. A casa era um tanto quando grande, com uma cor
bordô e feita de madeira. Possuía dois andares e horizontalmente também era
extensa.
- Até que a casa é grande.
- falou Louiz. - Ela tem quantos quartos?
- Três. Eu e minha família
às vezes vínhamos para cá, aproveitar um ar mais puro e essas coisas. Era bem
confortável, acho que vocês irão gostar. A julgar pela posição do sol, devem
ser umas três horas, acho que dá tempo de vocês tomarem banhos enquanto eu faço
a comida, certo?
Lembraram de quanto tempo
fazia que não tinham boas condições de higiene, e se animaram em saber que
finalmente iriam ter um tempo de descanso.
- Claro que sim. Porra,
devem fazer três dias que eu não cago! - falou Tattu, espontaneamente. Os ratos
olharam para ele, enojados. - Ah, acho que caguei sim, mas usei uma folha de
bananeira como papel higiênico.
- Isso foi bem
desnecessário. - disse Kusu.
- Que foi? Vai dizer que
você anda cagando decentemen... - respondeu o shaman de luta, que foi
interrompido por Meirelez.
- EI! Parem com essa
conversa nojenta, por favor. Enfim, podemos entrar, Freezer?
- É Geladou, cara. Segunda
vez que erra meu nome. E sim, podem entrar.
Eles abriram a porta - que
era duplicada - e perceberam que a sala de jantar já era ali, com uma grande
mesa de oito lugares. Havia uma escada à direita da mesa, que levava para cima,
e na frente uma porta aberta que levava para um corredor.
- Daora. - falou Guzo,
ainda machucado. Se segurava no ombro de Bruh.
- Sintam-se a vontade. Na
primeira porta do corredor à direita está um quarto com roupas para vocês
vestirem, e na do outro lado tem um banheiro com até banheira. Lá em cima tem
mais dois quartos, caso queiram se deitar. Eu vou preparar a comida.
Geladou foi para a
cozinha. Meirelez, Louiz e Guzonaro foram para o quarto no corredor, sendo que
os dois tiveram ajuda para andar, e o resto da equipe usou o quarto de cima.
- Então, Quedro, conseguiu convencer o shaman?
- Sim, e foi até melhor do que pensei.
- Como assim?
- Você irá saber.
- Então, qual é o plano
depois de sairmos daqui? - falou Louiz. Estava deitado na cama de casal, assim
como Guzonaro, que estava em seu lado.
- Tentarei trazer esse
Gelado para nossa equipe. Algo me diz que ele é mais poderoso que o normal, e
nós estamos precisando de mais parceiros. Depois, iremos para Empty Temple e
conseguiremos o próximo cristal, temos pouco tempo. - respondeu Meirelez.
- Ideias para transporte?
Afinal, nosso último virou uma labareda de fogo. - perguntou Guzo.
- Seria bom se
construíssemos outro.
- Isso não vai dar certo,
cara. Acho que seria bom se roubássemos algum avião do aeroporto, ou sei lá. -
disse Louiz. - Estou sentindo saudades daqueles cubos daora que o Glego
tinha...
- Nem me diga. - respondeu
Meirelez. - O aeroporto da Grande Cidade está longe demais, precisamos de pelo
menos alguma outra coisa para chegarmos lá. Ah, vocês ficam fofos na mesma
cama.
Louiz e Guzo se olharam, e
então o shaman psíquico levantou, segurando-se no criado mudo.
- Vá tomar no cu.
- Relaxe, hahaha. - riu. -
Deite-se, você está ferido e essas merdas.
- Meh. Vou pedir pro cara
da casa me passar um livro para feitiços de cura. Ah, e depois vou tomar banho
também.
- Peça pro Guzo te ajudar
no banho. - zombou Meirelez, ouvindo um "vá se foder" dos outros dois
ratos.
- Estou com saudades do
Dehco. - falou Tattu, sentado em uma poltrona.
Havia uma cama de solteiro no quarto onde ele e Bruh estavam, enquanto
Kusu e Ferpinky descansavam no outro cômodo. A shaman lutadora estava deitada
na cama, e assistiam a televisão, que ficava em cima de uma mesa na frente do
guarda-roupas.
- Você viu o jeito que ele
foi trouxa com a gente? - respondeu.
- Você precisa admitir que
ele tinha um ponto. Eu diria que somos praticamente suicidas em continuar
tentando.
- Ah, vamos lá, ele apenas
foi covarde.
- Eu tô ligado, ele nem
ligava realmente para a vida passada dele, sempre curtiu mais lutar. Mas acho
que ele não quer morrer antes da hora, sabe. Compreendo o que ele pensa.
- Bem, até que concordo.
Mas achei que éramos um trio de verdade, nunca imaginei que ele simplesmente iria
dar as costas para a gente.
- É que as coisas mudaram,
Bruh. Todos os líderes mundiais estão mortos, é uma situação totalmente
diferente. Não somos mais aqueles fodões que curtem chutar o saco dos filhos da
puta, que foi o motivo de eu ter entrado na missão. Agora somos guerreiros com
o mundo em nossas mãos.
- Pois é. Eu fico
imaginando se nossas vidas continuarão as mesmas depois disso tudo...
- Se nossas vidas continuarem
depois disso, já estarei feliz.
- Sabe, Fer, ultimamente
tenho pensado na situação em que estamos nesses últimos dias. Eu tenho essa
terrível sensação de que nós ainda teremos que suportar muitas mortes nessa
reta final.
- Eu tento evitar pensar
nisso, mas também tenho essa sensação.
- Pois é. E também tenho
muito medo de eu ser a próxima. De eu acabar sendo morta por causa dessa
guerra.
- Eu farei de tudo pra
isso não acontecer, Kus. Nós continuaremos juntas.
- É uma fala bonita, mas
estamos no mundo real, sabe. Eu temo medo de um assassino simplesmente aparecer
e fazer o trabalho dele, o que é muito provável.
- Eu também tenho esse
medo. Mas eu tenho fé de que tudo pode melhorar no fim.
- Bem, é o que eu espero
que aconteça. Saiba que eu te amo, irmã.
- Também te amo. - falou
Ferpinky, abraçando sua amiga.
- A JANTA ESTÁ PRONTA!
Três horas haviam se
passado. Todos os sete já tinham descansado, e, seus banhos, tomados. Louiz e
Guzo conseguiram usar os livros de cura e recuperarem-se das suas feridas, cujo
o shaman psíquico guardou em seu bolso para caso precisasse usá-lo depois.
O grupo sentou-se na mesa
de jantar, enquanto Gela trazia vários alimentos. Não comiam dessa maneira há
semanas - o rato trazia refrigerantes, carnes de gato assadas e macarrão. De
tempos em tempos, trazia coisas mais variadas, como peixe frito e saladas.
- Eu até tinha esquecido
como era viver normalmente. - falou Louiz.
- Essa porra tá uma
delícia! - exclamou Tattu. - Me passa o rabo de gato aí, por favor.
O grupo comia rapidamente
com a fome que tinham, aproveitando aquela chance. Meirelez sentia-se
restaurado com finalmente a oportunidade de um descanso ter chegado. Agradecia
toda hora ao anfitrião da casa, que estava recebendo-os extremamente bem. E
percebeu também que era a hora de convidar Geladou para entrar na equipe, e lhe
entregar a chance de batalhar contra Quedro.
- Então, Gela. Nós estamos
há um tempo batalhando contra esse inimigo em comum que nós temos, você não
quer entrar para nosso grupo?
- Seria uma honra. -
estava em pé, segurando uma panela de arroz. A colocou na mesa. - Eu vou buscar
mais bebidas. Já volto!
Ele andou pelo corredor,
entrando na cozinha.
- É, demos bastante sorte.
Mais um aliado e uma casa para morarmos. - falou Guzonaro, otimista.
- Isso foi bem repentino,
demos sorte pra caralho mesmo. - respondeu Louiz. - Eu nem sabia que ainda existiam
gatos no planeta.
- Ainda tem uns sítios por
aí que criam gatos. Ele deve ter arranjado de lá. - falou Bruh.
- Meteoro do foda-se. -
disse Tattu, mostrando o dedo do meio. Bruh rapidamente pegou o dedo do shaman
e o entortou.
- Fale foda-se de novo
agora. - disse, ainda entortando o dedo de Tattu.
- AHH! PARE, CARALHO! -
gritava. A shaman soltou o dedo de seu amigo, que ficou acariciando-o. - Sua
louca!
O resto da equipe ria ao
ver a cena, menos Kusu, que estava pensando no fato de Gela estar demorando
tanto para voltar com os alimentos. Estranhava, pois ela não ouvia ele fazer
nada dentro da cozinha.
"Deixe de ser
boba", pensava. "Ele não deve tentar fazer nada..."
Uma bolinha de fogo voou
pelo corredor, caindo na mesa. A shaman imediatamente percebeu o que era e
tentou formar uma parede de fogo às pressas, até que a bolinha causou uma
grande explosão em cima de todos os alimentos, fazendo Louiz, Guzo, Tattu de
Bruh se ferirem e jogados na parede da sala de estar. A parede de fogo de Kusu
conseguiu proteger Ferpinky e Meirelez, só que o impacto da explosão ainda os
fez cair para trás.
Geladou correu pelo
corredor, atirando três cannons de fogo em Meirelez, que conseguiu desviar de
todos na última hora. Ferpinky e Kusu atiraram rajadas de fogo no traidor, que
formou uma parede de fogo para se proteger, avançando contra as duas. Ao chegar
mais perto, conseguiu acertar um cannon de fogo em cada uma, fazendo com que
Ferpinky fosse atirada em uma parede e Kusu jogada para o outro lado, onde estavam
os quatro ratos feridos encostados em um canto.
- Ele é meu! - gritou
Gela, olhando fixamente para o shaman das sombras.
- Vão ajudar os quatro! -
exclamou Meirelez, ao perceber o que havia acontecido com seus amigos. - Eu
cuido desse filho da puta!
Retirou sua espada
embainhada de suas costas. Gela conjurou mais uma das bolinhas de fogo que
utilizou para explodir a mesa, mas Meirelez conseguiu pular para o lado e
escapar da explosão, investindo sua espada contra o adversário. O shaman de
fogo desviou, curvando sua coluna, e acertou um cannon de fogo no seu inimigo.
Meirelez foi atirado
contra a mesa, que permanecera intacta ao contrário das panelas. Antes de
conseguir se recuperar, Gela colocou fogo em suas mãos e acertou o braço do
shaman, fazendo sua dark sword voar em direção à janela, em seguida acertando
um golpe em seu rosto. O shaman das sombras bufou, conseguindo então golpear
Gela em suas costelas, fazendo-o recuar.
- Eu te avisei: Não seria
misericordioso caso você tentasse qualquer coisa. - falou Meirelez. - Você irá
arcar com as consequências.
Fez o chão embaixo do
shaman de fogo explodir em sombras, fazendo-o subir e chocar-se contra o teto.
Antes mesmo de cair, Meirelez pulou em direção de Gela, acertando dois socos em
seu rosto e explodindo uma rajada de anti-matéria à queima-roupa, fazendo com
que seu adversário fosse jogado violentamente contra o chão. Porém, quando
Meirelez caiu e tentou acertar mais um golpe, Gela se defendeu com um de seus
braços e atirou um cannon de fogo pelo outro, explodindo no shaman das sombras
e fazendo-o cair em cima da mesa.
O traidor percebeu que
Kusu e Ferpinky estavam ajudando os outros e tentando fazer com que saíssem da
casa pela janela, e conjurou mais um Explosão, nome do poder da pequena esfera
de fogo. Porém, Meirelez formou um escudo negro em torno deles, deixando-os
salvos do ataque.
- Sua batalha é comigo,
desgraçado!
- Que seja! - respondeu,
utilizando o fogo para voar e tentar acertar um soco mais poderoso, mas o jovem
rato conseguiu desviar, acertando um golpe no estômago de Geladou no momento
que ele chegou em cima da mesa.
Continuaram o duelo ali,
pisando em algumas panelas estouradas; Gela desviou de dois golpes na altura do
rosto que Meirelez tentou desferir, tentando acertar uma rajada de fogo. O
shaman abaixou-se no último momento, acertando um chute por baixo no queixo de
seu inimigo, tentando finalizá-lo com um raio negro. Mas Geladou conseguiu
acertar o braço do rato em um último momento, fazendo com que o raio acertasse
uma parede, e logo em seguida acertou um projétil de fogo no peito de Meirelez,
que caiu. Gela prendeu-o com os joelhos, e começou a golpear eu rosto.
- Eu vou me vingar pelo
que você fez pela minha família, seu desgraçado do caralho! - gritou, ainda
socando a cabeça do shaman. - Sua vida acaba agora!
- Você tem retardo mental?
- Meirelez, ainda não muito ferido, utilizou o escuro que estava debaixo de um
armário para formar um projétil negro, acertando Geladou pelas costas. Caiu da
mesa, um pouco ferido. - Eu não fiz nada, seu otário!
- Cale a boca! Eu me
lembro muito bem de seus olhos insanos! - exclamou, lançando mais um Explosão
na mesa. Meirelez rapidamente pulou, passando por cima de seu adversário antes
que fosse atingido pelo ataque.
Parou em frente a Geladou,
encarando-o. Kusu e Ferpinky continuavam a ajudar os feridos, tentando curá-los
com o livro de magias que Louiz possuía. O shaman de fogo estava de costas para
o resto do grupo, enquanto olhava para seu inimigo, com uma expressão de ódio
em seu olhar.
- Você acha mesmo que eu
assassinei todos da sua família? - perguntou Meirelez.
- Não se faça de
mal-entendido, eu tenho a total certeza, desgraçado!
- Cara, comece a pens... -
não terminou aquela fala, pois Geladou atirou um cannon de fogo em sua direção.
Conseguiu desviar, golpeando o rosto de seu inimigo duas vezes, e quando tentou
realizar mais um para atordoá-lo, porém o shaman de fogo foi mais rápido e
segurou o braço de Meirelez, entortando-o.
O shaman das sombras rugiu, e antes que pudesse ter seu braço quebrado,
se contorceu e acertou um chute na orelha de Gela, lançando um cannon negro. O
receptor do ataque foi jogado contra uma parede.
Em fúria, lançou uma
parede de fogo azul, mas Meirelez foi capaz de desfazê-la com seus poderes
sombrios. Após escapar do ataque, direcionou suas duas mãos em direção ao
traidor. Antes mesmo que Geladou pudesse reagir, duas esferas de antimatéria
surgiram e foram atiradas, acertando o alvo. Elas explodiram no corpo do shaman
de fogo, destruindo toda a parede e jogando-o para fora da casa.
Por fim, o derrotado caiu
no gramado inclinado da montanha. Bufava, ferido, enquanto um pouco da
substância negra corroia parte de seu peito.
Meirelez tentou atirar
mais uma esfera para finalizar com o shaman, mas o mesmo usou seus poderes de
fogo para voar e fugiu, em direção ao oceano.
- Merda, ele escapou. -
falou o líder.
- Bem, pelo menos agora
temos uma casa pra ficar... - disse Tattu, ainda um pouco ferido, porém já
curado.
- Pois é... Não, espera...
SAIAM DAQUI RÁPIDO! - respondeu Meirelez.
- Mas por quê? - perguntou
o shaman lutador.
O shaman rapidamente
correu até o grupo. Explodiu uma parede, e jogou uma onda sônica negra para que
fizesse com que todos do grupo caíssem no gramado, enquanto mais uma esfera de
fogo, desta vez maior, surgiu atrás dele. Logo quando Meirelez pulou, uma
gigantesca explosão surgiu e o atingiu, jogando-o para longe. A casa inteira foi
atingida também, sendo derrubada e destroçada, com o cogumelo de fumaça sendo formado.
Os ratos assistiram,
atônitos, o que acontecera, logo após isso indo socorrer o líder deles.
Meirelez estava com queimaduras em suas costas e parte de seu cabelo pegava
fogo, que Kusu retirou com seus poderes.
- Usem... o livro... -
disse o shaman das sombras, agonizando com a dor.
Louiz - que já havia se
recuperado - pegou o manual de cura, tentando melhorar os ferimentos, com pouco
sucesso.
- Isso é o máximo que
posso fazer, acho que vai continuar doendo por um tempo, mas você vai se
recuperar.
- Obrigado. - ainda não
conseguia levantar.
Continuava a olhar para a
fumaça e o estrago feitos, imaginando o quão fortes os seus inimigos estavam se
tornando.
- O que faremos agora? - perguntou
Bruh, ainda ferida e sentada no chão.
- Construam um
helicóptero. - ordenou. - Iremos para a Grande Cidade.
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